O que aconteceu em Albacete
A Junta de Comunidades de Castela-Mancha confirmou focos de gafanhoto mediterrânico (a espécie Dociostaurus maroccanus, que o organismo europeu de proteção fitossanitária EPPO regista também sob o nome comum «gafanhoto-da-praga») em zonas de erial e pastagem seca do leste da província de Albacete, junto à fronteira com Múrcia. A autoridade competente ativou um tratamento excecional, com autorização específica para o produto e a área a tratar.
A operação combinou meios terrestres com aplicação aérea com drone agrícola, precisamente nas parcelas de eriais e pastagem onde o acesso com máquina terrestre é mais difícil ou menos eficaz para cobrir a área de forma homogénea e rápida — uma janela de atuação curta é decisiva no controlo de gafanhotos, cujas ninfas se concentram em manchas antes de dispersar.
Importante: este é um relato de uma operação concreta em Espanha, com autorização excecional caso a caso. Não é a descrição de um regime geral que permita pulverizar com drone sem autorização, nem em Espanha nem em Portugal.

Porque é que isto interessa a Portugal
Portugal não tem, à data desta publicação, um surto confirmado de gafanhoto mediterrânico equivalente ao de Albacete. Ainda assim, há três razões concretas para o setor agrícola português acompanhar o caso:
- Proximidade geográfica e risco transfronteiriço — pragas de eriais e pastagens não reconhecem fronteiras administrativas, e o Alentejo partilha condições de solo e clima semelhantes às zonas afetadas em Castela-Mancha e Múrcia.
- A DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) mantém redes de vigilância fitossanitária e pode ativar, tal como a autoridade espanhola, tratamentos excecionais pontuais caso surja um foco confirmado em território nacional.
- O caso ilustra a direção do quadro europeu: o drone agrícola está cada vez mais presente como ferramenta de resposta rápida a emergências fitossanitárias, o que reforça o sentido do debate sobre a evolução regulatória (pacote Ómnibus X) também para Portugal.
Ler mais sobre o enquadramento europeu em preparação no nosso artigo Drones para pulverização na UE: o que muda com o Ómnibus X.
O que continua a exigir a lei, hoje, em Portugal
Um caso de emergência fitossanitária em Espanha não muda o quadro legal português. Para qualquer aplicação aérea com drone em território nacional continuam a ser necessárias:
- Autorização e enquadramento da DGAV para o produto fitofarmacêutico e o inimigo a combater.
- Registo do operador e habilitação de piloto junto da ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Civil).
- No caso de uma emergência fitossanitária declarada, autorização excecional específica — nunca uma prática livre por analogia com casos de outros países.
Onde o drone já é plenamente útil, sem qualquer restrição especial, é na vigilância e deteção precoce: sobrevoos regulares de eriais e pastagens lindeiras à exploração agrícola permitem identificar concentrações de ninfas de gafanhoto antes de se tornarem um problema, e documentar a situação para as autoridades competentes.
Perguntas frequentes
Há gafanhoto mediterrânico em Portugal como em Albacete?
Não há, à data desta publicação, um foco confirmado equivalente ao de Albacete. O interesse para Portugal está na proximidade geográfica, no risco transfronteiriço de pragas e na evolução do quadro europeu para o uso de drones em sanidade vegetal.
O gafanhoto mediterrânico e o gafanhoto-da-praga são a mesma espécie?
Sim. Dociostaurus maroccanus é o nome científico; «gafanhoto mediterrânico» e «gafanhoto-da-praga» são ambos nomes comuns usados, incluindo pelo organismo europeu EPPO.
Posso pulverizar erial ou pastagem com drone em Portugal se detetar um foco?
Só com autorização excecional da DGAV e o enquadramento aeronáutico da ANAC. A deteção e o alerta às autoridades é o passo correto; a aplicação exige sempre autorização caso a caso.
Vigilância aérea, mapeamento de parcelas e resposta rápida quando surge um alerta fitossanitário: a Elisur Agrotech é distribuidor oficial EAVision em Portugal, com equipamento, formação e assistência técnica.
Fontes e documentação: comunicações da Junta de Comunidades de Castela-Mancha sobre o tratamento excecional contra o gafanhoto mediterrânico em Albacete; ficha da espécie Dociostaurus maroccanus (EPPO Global Database); Diretiva 2009/128/CE e Lei n.º 26/2013 (regime português de aplicação aérea de fitofarmacêuticos); DGAV e ANAC. Artigo divulgativo, escrito a partir de comunicação pública sobre uma operação em Espanha; não identifica a Elisur Agrotech como interveniente nessa operação, não substitui a legislação oficial em vigor nem o aconselhamento técnico para cada exploração agrícola.

